Precisamos falar sobre a Deepfake

Feliz 2020, pessoal.

Agora, atenção! Imagine que nas próximas eleições – que acontecerão em outubro agora, teremos o candidato A e o B. No meio da campanha de repente aparece um vídeo atual, bombando nas redes sociais e aplicativos de mensagem, em que o candidato A pede votos para o candidato B.

É uma loucura impensável, né não? Não! E é sobre isso que falamos hoje porque, eis que no incrível e cada vez mais inovador e insano mundo das tecnologias digitais, já é perfeitamente possível produzir vídeos com ‘personagens’ que têm a cara de alguém, a voz de alguém, o sotaque, os trejeitos de alguém, dizendo (e/ou fazendo) alguma coisa absolutamente surpreendente e impactante (pra usar palavrinhas suaves, por hora), mas que NÃO SÃO AQUELE ALGUÉM!

E, pior, para identificar essa tramoia, é bem difícil. E até que isso aconteça, até que se desmascare essa ‘montagem’, certamente o estrago pode já ter sido feito, sem possibilidade de reparo.

No caso hipotético relatado acima, os danos, já sérios, podem, claro, atingir candidaturas legítimas e alterar os rumos de uma eleição que se pretende democrática e limpa.

Entretanto, fora do universo político-eleitoral, vídeos como esses envolvendo celebridades e pessoas comuns como eu e você, podem arruinar reputações, vidas – e por falar em vidas, podem resultar até em retaliações brutais e mortes.

Senhoras e senhores, estamos falando da #Deepfake, a tecnologia que vem fascinando e assombrando o mundo, que só se sofistica e promete ser um dos maiores perigos no consumo de informações em nível mundial.

Junção e simplificação dos termos deep learning (aprendizagem profunda, em inglês) e fake, que em inglês significa falso, a Deepfake é a sobreposição e síntese de imagens e/ou sons baseada em inteligência artificial. Muito usada para combinar uma fala qualquer a um vídeo já existente.

É assustador. É incrível.

E vem sendo usada, digamos, para fins pacíficos (na verdade de cultura, entretenimento, comércio e serviços) há um tempo, já. Mas, infelizmente, também já vem rendendo vários problemas, processos, etc…

Lembram da história hipotética que citei no início do texto? Pois bem. Ela não é tão hipotética assim. Ela aconteceu no Reino Unido.

A coisa é tão séria que nas últimas eleições por lá, a organização Future Advogacy produziu um vídeo no qual os oponentes – o conservador Boris Johnson e o trabalhista Jeremy Corbyn, apareciam justamente pedindo votos um para o outro.

A produção, extremamente crível, visual e audivelmente perfeita, foi disseminada pela instituição exatamente como alerta sobre os estragos que a Deepfake pode causar.

Eu, por hora, só trago o alerta mesmo. Porque a Deepfake faz as já famigeradas e nocivas fakenews do grupão das tias do WhatsApp parecer conto de fadas… mas, espero em breve, trazer informações sobre os antídotos para essa ‘praga digital’ e também, claro, os exemplos do bom, saudável e rentável uso dela.

No mais, deixo aqui o link para uma matéria da BBC, mostrando como foram feitos os vídeos dos fake candidatos à eleição do Reino Unido.

Fakenews ou Deepfake a lição é, cada vez mais, pesquisar a fonte e não repassar conteúdos duvidosos.

Sucesso e cuidado aí!